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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Amastha apresenta propostas e explica candidatura

Carlos Amastha, presidente metropolitano do Partido Progressita (PP) e pré-candidato a prefeitura de Palmas, reuniu a imprensa na manhã de terça, 13, para apresentar propostas para o desenvolvimento da cidade. Antes de falar sobre a cidade, Amastha falou sobre a necessidade de discutir a administração de Palmas e sua entrada para a política.

O empresário disse que se atentou para a necessidade de discussão das necessidades de Palmas, quando, em junho, recebeu a notícia de que os vereadores pensavam em expandir a cidade.  “Eu não concordava com aquela proposta e não conseguia imaginar como foi possível chegar a uma proposta daquelas”, disse ao relembrar que na ocasião iniciou um manifesto via internet e que só recebeu a adesão de poucos políticos.

Segundo Amastha, a classe política ficou com medo de se envolver e se prejudicar nas articulações caso aderisse a um movimento contrário a expansão da cidade.  A partir desse momento, o empresário disse que sentiu um grande enfraquecimento no grupo que, logo após, veio a ser chamado de “Palmas de Coração”.

O empresário lembrou também as acusações e os xingamentos que foram proferidos a ele na Câmara Municipal. De acordo com o pré-candidato, logo após o seu posicionamento contrário a expansão da cidade, os vereadores começaram a proferir acusações.

O empresário relembrou ainda que incialmente a sua proposta era discutir a cidade com o que ele chamou de “caráter cívico” e que para isso passou a articular as reuniões do grupo “Palmas de Coração”. E, que foi com essas discussões da cidade que recebeu o convite para integrar o Partido Progressita (PP), do qual hoje ele é pré-candidato.

Ainda de acordo com o empresário, o levantamento e as propostas que foram apresentadas  tiveram como objetivo central iniciar as discussões sobre o Plano Diretor da Capital. “Longe de mim falar que esta projeto está fechado e será apresentado para a população. Queremos debate e participação da população”, pontuou Amastha.

O empresário disse ainda que está emocionado com que o que está encontrando nas visitas pela cidade. De acordo com ele, a receptividade da população tem sido supreendente. Amastha disse isso ao ressaltar que a população quer e precisa de uma administração diferente e focada na qualificação.
Instituto

“Por isso que eu defendo a criação de um Instituto Público de Planejamento Urbano”, disse ao explicar que o instituto tem que ser ocupado por pessoas técnicas que vão saber analisar se as propostas vão impactar positiva ou negativamente a cidade. “Essa cidade está um samba do criolo doido” disse o empresário explicando que em Palmas os empresários que estão freando as atitudes do poder público. Segundo ele, o normal seria o poder público regular as ações empresariais.

Como exemplo, o empresário citou uma conversa que ele teve com Fabiano do Vale – presidente da Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa) e empresário do ramo da construção civil. De acordo com Amastha, o empresário teria dito a ele que preferia perder dinheiro, deixando de vender apartamentos ou condomínios e manter a cidade organizada. “Ele me disse que escolheu para morar e criar seus filhos, por isso quer um lugar bom para morar”, destacou.

Amastha aproveitou ainda para negar qualquer sociedade com as famílias Siqueira Campos e Miranda e com o ex-governador Carlos Gaguim. Sobre isso, o empresário ironizou e disse que, infelizmente, na sociedade de Palmas um empresário não pode ter destaque sem estar ligado ou ser laranja de um grande grupo político. “Sobre isso eu fico em casa, olho no espelho e me questiono se eu tenho cara de laranja”, brincou.
Voltando a falar sobre os planos para a cidade e as propostas de desenvolvimento, o empresário disse que tem o sonho de ver em Palmas o que há de melhor no mundo.  “Temos grandes belezas naturais, potencial para desenvolvimento, profissionais qualificados e uma população que é proporcional ao bairro de Copacabana”, citou ao explicar que  não é impossível administrar a cidade de forma ordenada e  manter desenvolvimento e qualidade de vida para toda a população.

“Nossa população é proporcional a Copacabana, que é semelhante ao número de moradores da rocinha”, exemplificou ao dizer que é uma escolha fazer de Palmas um bairro nobre ou um favela. “Não é tendo preconceito com a Rocinha, mas é um crime, uma arbitrariedade o que fazem lá”, pontuou.

O empresário disse ainda que a proposta de expansão que querem aplicar em Palmas não respeita o estatuto das cidades, que ele chamou de Carta Magna do planejamento urbano.  

As cinco propostas apresentadas

Para elaborar a proposta, que foi chamada de reurbanização da cidade de Palmas, Amastha foi buscar consultoria em Curitiba – que é considerada modelo para todo o país. O projeto foi elaborado por Gustavo Taniguchi, que é um dos engenheiros responsáveis pela readequação do plano diretor de Curitiba. Gustavo é filho de Cássio Taniguchi e neto de Jaime Lerner, prefeito responsável pela reorganização da malha urbana da capital paranaense.

Gustavo disse que, de imediato, seriam apresentadas cinco propostas que, de acordo com os estudos realizados, iriam melhor aproveitar a malha urbana e os investimentos já realizados na estruturação da cidade. Os pontos seriam transporte, uso e ocupação do solo, valorização da orla, acessibilidade e zona de contenção.

A proposta colocou em pauta os dois principais debates que estão presentes na Câmara de Vereadores, que são a expansão urbana e o transporte coletivo. Sobre o transporte coletivo, a proposta aponta a necessidade de distribuição, com base em linhas alimentadoras e terminais de integração. Além disso, a proposta contempla ainda a implantação de Veiculo Leve sobre Trilho (VLT), que vai interligar a cidade de leste a oeste, e uma espécie de metrô de superfície, eu o Bus Rapid Transit (BRT), que é sistema de ônibus.

Para tornar viável a implantação de qualquer um dos dois sistemas de transporte, segundo o engenheiro, é fundamental o incentivo ao adensamento, em longo prazo, da população em torno da Avenida Theothônio Segurado. A proposta prevê a criação de uma rede de transporte que alimentaria de passageiros o corredor principal de transporte.
O projeto apresentado prevê ainda que nas proximidades dos pontos de ônibus sejam colocados comércios que facilitem a rotina da população, como farmácias, supermercados, além de uma diversidade de serviços oferecidos à população, que podem ir desde atendimento de saúde ao comércio, para que elas não precisem se deslocar para outras áreas.

O estudo traz o incentivo à reurbanização da orla e a instalação de um espaço multimodal de transporte, aproveitando o potencial náutico do lago de Palmas, e a criação de uma zona de contenção urbana para frear o crescimento e a ocupação desordenadas da Capital.

O projeto também contempla a ocupação das áreas vazias, localizadas no centro da cidade. De acordo com a proposta apresentada, a ocupação dessas áreas baratearia o custo da cidade e tornaria o transporte coletivo mais eficaz. Outro ponto abordado pela proposta apresentada é a otimização e democratização da Orla como espaço de lazer para todas as classes sociais.

Zona de contenção
Sobre a tão polêmica expansão, o projeto defende a criação de zonas de contenção - que serviriam como uma faixa de transição entre a zona rural e a zona urbana. A ideia da proposta é conter a invasão da cidade nas zona rural e conter a especulação imobiliária. Antes de finalizar a reunião, o empresário Carlos Amastha voltou a criticar o projeto de expansão do Plano Diretor ao dizer que há uma confusão moral entre pobreza e marginalidade. “Por que as pessoas confundem pobreza com marginalidade? Por que sou pobre, é preciso que eu more no quilômetro 15, sem transporte público, sem infraestrutura?”, questionou.

A proposta apresentada por Amastha parece ter a aprovação e o apoio dos professores da Universidade Federal do Tocantins, que estiveram presentes no evento e participaram do debate.  A ideia seria de aproximar os estudos acadêmicos da comunidade para melhorar a qualidade de vida da população.

Importante pontuar que o arquiteto Taniguchi e o empresário Carlos Amastha teceram duras críticas ao modelo de Brasília que, segundo eles, excluiu as classes menos abastadas e marginaliza as periferias.

Amastha disse ainda que é preciso que a gestão municipal converse com o governo estadual, que é proprietário da maior parte dos lotes vagos, para que uma ação conjunta possa propiciar moradia na região central. “Quem tem menos condições tem que morar no centro, onde se tem mais facilidade e acesso”, finalizou. 

Conheça o caso de Curitiba
Na capital paranaense, o  primeiro plano urbanístico foi instituído em 1783, quando a Câmara de Vereadores da época determinou o traçado das ruas, disciplinando a localização das novas construções. Mas foi após os anos 60 que a cidade começou a ter o ar e cara que tem hoje. 

Na década de 60, urbanistas da Universidade Federal do Paraná  (UFPR) encaminharam à Prefeitura uma proposta de plano diretor para a cidade. Após amplo debate, o Plano Diretor foi aprovado, mas colocado em prática somente em 1971, na gestão do prefeito e arquiteto Jaime Lerner.

Foram, então, instituídos, por exemplo, os calçadões que são ruas exclusivas para pedestres , a integração do transporte coletivo e o emprego de canaletas exclusivas para ônibus. O fechamento de parte da Rua XV de Novembro ao tráfego de veículos, em 1971, foi a primeira iniciativa desse tipo no Brasil. 

A cidade, que fica a 934 km de Brasília e foi eleita em 2007 pela revista norte-americana Reader's Digest, como a cidade com melhor qualidade de vida do Brasil. É a oitava cidade mais populosa do Brasil e a maior do sul do país, com uma população de 1.746.896 habitantes.(Fernanda Cappellesso)

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