Em troca, o ex-prefeito e deputado pelo PP admitiria a autoria de um crime pela primeira vez na vida - no caso, delito classificado formalmente de falsificação de registros contábeis praticado nos Estados Unidos. Maluf sempre negou ter recursos em paraísos fiscais.
Pelo acordo, Maluf abriria mão de R$ 22 milhões (US$ 13 milhões) dos R$ 36,6 milhões (US$ 22 milhões) bloqueados administrativamente em Jersey. A negociação se arrastou por quase um ano, mas Maluf desistiu na última hora porque seu filho, Flávio, poderia ficar à mercê do Ministério Público brasileiro.
Os advogados britânicos da prefeitura não haviam entrado na Justiça para reaver esse dinheiro, ao contrário do que fizeram em relação aos valores das contas mantidas pelas offshores Kildare Finance e Durant Internacional. No caso dessas duas, além do bloqueio administrativo, a prefeitura também obteve o bloqueio judicial do dinheiro.
Ao todo, o Ministério Público de São Paulo e a prefeitura estimam que Maluf e sua família manteriam ativos avaliados em R$ 260 milhões (US$ 160 milhões) em Jersey - cerca de R$ 166 milhões (US$ 100 milhões) em ações da Eucatex e o restante em dinheiro nas contas bancárias das offshores. No Brasil, o Ministério Público Eleitoral também obteve o bloqueio judicial dos valores em Jersey.
Na avaliação da Procuradoria do Município, seria mais difícil reaver o dinheiro da Macdoel Trust e da Latin Invest do que o das outras offshores. O acordo com Maluf seria duplamente vantajoso: além de garantir o repatriamento imediato da fortuna, acabaria com o risco de um processo moroso.
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