Boas Vindas

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O grande atingido pelas eleições não está na disputa

O principal atingido pelas eleições legislativas dos Estados Unidos no próximo dia 2 não está na disputa. A renovação de todas as 435 cadeiras Câmara, de 37 postos do Senado e 37 governos dos estados americanos será determinante para Barack Obama. Seu partido, o Democrata, que tem maioria no Congresso desde 2006, enfrenta uma ofensiva republicana respaldada por uma economia desaquecida, altos índices de desemprego, duas guerras sem fim e uma maioria da população que desaprova o presidente. Segundo pesquisas realizadas pelo instituto Zogby, a popularidade de Obama caiu de 51% para 45% de fevereiro à maio.
Em agosto, Obama lançou-se numa ofensiva para tentar reverter esse quadro. Atendendo ao desejo de 62% da população contrários à presença militar no Iraque, ele trouxe trouxe de volta para casa contingentes em missão naquele país. Não foi suficiente. Pesquisas indicam que 50% das intenções de voto nas eleições legislativas são para os republicanos.
Descontados 7% de eleitores que pretendem votar branco ou nulo, sobram 43% do eleitorado para os democratas, que, acreditando no ônus de estar vinculados ao presidente, se afastaram de Obama às vésperas do pleito. O líder se lançou em uma cruzada pelo país pedindo votos, mas, diferente da campanha presidencial, quando reunia milhares de pessoas em cada aparição pública, desta vez poucos saíram de casa para ver Obama. Há dois anos, quando era candidato à presidência, ele atraiu 60.000 pessoas a um ato público em Oregon. No último dia 20, modestos 5.000 compareceram ao mesmo local.
Com o presidente em baixa, o Tea Party, movimento que agrega conservadores ligados ao partido Republicano, mas insatisfeitos com as lideranças tradicionais da legenda e sua maneira de fazer política, aproveitou a brecha e alcançou uma parte da população que só precisava de um empurrão para se rebelar. Os conservadores surpreenderam nas primárias e levaram para a disputa personagens muitas vezes caricatos, como o candidato ao governo de Nova York, Carl Paladino, que promete acabar com os homossexuais, ou a candidata ao Senado por Delaware, Christine O’Donnell.
Se o descontentamento com os democratas se confirmar, a derrota pode aleijar o governo Obama. Com seus adversários controlando o poder legislativo, ele corre o risco de ver sua margem de manobra reduzida nos dois anos finais de seu mandato - um período crucial para o homem mais poderoso do mundo, que ensaia uma reeleição.

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