Muitos governadores já foram eleitos no primeiro turno ocorrido dia 3 de outubro em todo Brasil. A disputa presidencial ganhou novos contornos nesta reta final com a aproximação de José Serra dos números antes imbatíveis de Dilma. Mas na manhã desta terça-feira, 19, brasileiros de todo o País discutem como vai ficar o mandato de Tiririca, o palhaço eleito em São Paulo, para deputado federal. Aquele que não conseguiu provar ainda que sabe ler, nem escrever.
Na padaria, no mercadinho da esquina, dentro do ônibus e até na roda vip do Stylus Cabeleireiro da JK não se fala em outra coisa nestes dois últimos dias: será que Tiririca vai perder o mandato antes mesmo de assumir? Uma espécie de solidariedade vai se formando em torno do palhaço, que é um personagem (e nada mais que isso). É aquela máxima de achar que o sujeito é “um coitado” que agora deu sorte e vai subir na vida... se, e somente se, provar que não é analfabeto.
Os comentários chegam a ser engraçados. Uns o defendem, e acham que “o sistema” não deixa o pobre chegar a ocupar uma vaga na Câmara Federal. Outros avacalham: será que com tanto tempo na televisão ele já não podia ter aprendido a ler e escrever? Ou pelo menos durante a campanha, que já prenunciava uma vitória expressiva, carregando mais dois da sua legenda?
Pior que tá, fica sim
A jogada de marketing feita em torno de Tiririca buscou traduzir em frases simples o pensamento popular. Ou os preconceitos populares em torno da atuação dos deputados federais, como se todos fossem iguais, e ninguém tivesse uma atuação digna, em defesa dos segmentos que representa, ou bandeiras que defende. Não é verdade.
Dizer por exemplo: “vote no Tiririca, pior do que tá não fica”, é uma grande mentira. Ou alguém tem dúvidas de que um humorista, analfabeto ou semi-analfabeto empobrece a qualidade da representação popular na Câmara? A quem realmente Tiririca representa, além do voto de quem não está “nem aí”, literalmente para o que acontece na Câmara Federal?
Outra pérola de campanha, usada pela equipe de marqueteiros: “Você sabe o que qui um deputado federal faz? Nem eu! Vota ni mim que depois eu te conto”. De um jeito engraçado, a frase expõe uma verdade incômoda: a de que boa parte da população não sabe mesmo qual a função do deputado federal, e aí o colegiado precisa fazer um “mea culpa”, de que não está conseguindo, ou talvez nem tentando educar o eleitor sobre a função dos seus representantes.
Refazendo a prova
Ninguém duvida de que Tiririca, o palhaço personagem que ganhou as eleições teria uma assessoria capaz de elaborar projetos para que ele assinasse e apresentasse na Câmara. Sua participação nas comissões, fico pensando, seria uma cena interessante. O que de prático, de concreto ele faria, além de protagonizar cenas de humor, é uma pergunta que pode ficar sem resposta.
Tudo por que Tiririca não passou na prova básica que foi aplicada para saber se ele realmente é analfabeto. Não estudou antes, não estudou na campanha, e não conseguiu aprender o bastante nos dez dias que teve entre a eleição e a prova. Conclusão: a prova respondida numa letra que não confere com a sua própria escrita, terá que ser refeita.
Esse é um episódio que reflete o quanto o eleitor brasileiro ainda precisa amadurecer. Mas antes de tudo, vejo nele um alerta para a classe política. Até quando viveremos num sistema em que vale tudo para se eleger? A resposta pode demorar a chegar. E neste tempo vamos continuar a assistir a eleição de palhaços e outras celebridades que pouco ou nada têm a oferecer.
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